Meu domingo ontem foi presenteado com a entrevista da Fernanda Young na Marília Gabriela, duas mulheres que um dia, juro, irei ao menos me parecer com elas.
Na entrevista, me chamou atenção um fato que ela confindenciou. Quando participava do programa Saia Justa, no GNT( que no geral, é um programa de 4 mulheres batendo papo sobre quaisquer assuntos e agora com a presença de um homem também), entrou em depressão porque falou demais. Falou de pessoas, sobre suas vidas, seus segredos, emitiu opiniões sobre elas que a boa etiqueta aconselha emitir somente a seus próprios pensamentos. E essas pessoas não a perdoaram. E eu me identifiquei um pouco com isso. Depois de uma infância e adolescência caladas, sem emitir opiniões, sem se quer me defender de ofensas e opiniões alheias, descobri esse perigoso mecanismo de defesa. A fala. E isso é uma faca de dois legumes, em que um deles certamente é o pepino! Se você não está lhe dando com alguém suficientemente maduro para entender que na hora da raiva coisas são ditas propositalmente para ferir, mas não necessariamente é aquilo que em estado normal você relmente pensa, ou até pensa, mas consegue conviver com isso, ou também com alguém que seja muito esclarecido e seguro para aceitar que sua opinião pode divergir da dele e que você não é obrigado a gostar de tudo em alguém para gostar dessa pessoa (esse alguém existe??), então cale-se! Segure a língua e engula um sapo ou dois. Palavras podem ser armas.
Mas palavras também poder ser flores, você sabia disso? E não é incrível como é difícil as pessoas (e eu me incluo dentro dessa) usarem as palavras para o bem no dia-a-dia!!! Nem que seja um "Me amarro na tua, viado" ou "Aquele filho-da-puta trabalha bem, viu!", ou ainda, "Sua escrooooota, seu cabelo tá lindooo!!", ou ainda, "Pai, mãe, vocês são foda!" Que seja! Do jeito de cada um, mas seja. Mas não, a gente prefere o contrário. Sua amiga da seção não é tão boa quanto você e está tentando tomar o seu lugar, seus pais são um pé no saco e você não os aguenta mais, o cabelo da sua amiga está horrível (pura inveja) e ela às vezes ainda é tão chatinha... Ah, e essa eu DU-VI-DO você dizer para quem de direito: "Ah, sogra, como eu te amo por você ter cuidado tão bem desse homem a quem eu tanto amo!"
É, a palavra tem poder, já dizia algum evangélico por aí! Com a palavra se conhece, cresce, aparece, machuca, perdoa, grita... silencia. Que poder!
segunda-feira, 28 de março de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
Prezada Mulherzinha (Fernanda Young)
Se existe alguém que pode falar o que vou falar para você, sou eu. Então, por favor, tenha a humildade de admitir que sei o que estou falando. Pois o que eu te direi é duro, mas poderá te fazer um bem enorme.
Chega. Chega de se comportar assim. Como se estivesse lutando pelo posto de rainha da bateria. De Miss Maravilha do Mundo. Basta de ataques, dessa competitividade suburbana eu sou a melhor, eu sou a mais alta, eu sou a mais gostosa do pedaço. Ninguém tá ligando a mínima se você corre 10 quilômetros ou se aplicou Botox nessa sua testa sem expressão. Ou se você é assim porque ainda não passa de uma menininha que quer ser mais perfeita do que a mãe, conquistar o amor do pai e ser a primeira da classe. Esse teu afã psicopata de vencer todas as paradas só te deixa ridícula. E me faz querer usar um termo que odeio: coisa de mulherzinha. Mulherzinha é que tem essa mania de estar sempre desconfiada das amigas, porque todas teriam inveja do seu corpão e do seu cabelão estilo falso-loiro-natural-cinco-tons. Lamento informar, querida, que ninguém sente inveja de você. Por isso, chega de dizer por aí que, para não atrair olho grande, é bom ficar de bico fechado sobre a tal possível promoção que você terá no trabalho. Relaxa, ninguém está a fim de ser você. Tente, portanto, ser você com mais leveza. E lembre-se: esse negócio de dizer que não se pode confiar em mulheres só comprova que você é uma pessoa maliciosa. Sendo que isso está longe de ser porque você é fêmea.
Quando vejo você tagarelando sobre seus feitos sexuais, sinto-me num filme ruim sobre ginasianas americanas. Todas fanhas e excitadas. Chega, tá? De azucrinar os outros com essa sua boca-genital lambuzada de gloss, cuspindo baixos-clichês, simulando uma modernidade que você não tem. Nunca mais caia no ridículo de fazer "sexo casual" com nenhum tipo de homem, mais velho ou mais novo, casado ou solteiro, porque todo mundo já sabe que você finge tudo. Que goza, que não se sente fácil, que não liga quando os caras não telefonam no dia seguinte. Seja honesta uma vez na vida: confesse. Que você não é nada tão wild quanto se vende. Que não sabe falar tão bem inglês assim. Que fez escova progressiva. Que tem dermatite. E enfim você terá alguma paz, pois se reconhece humana, e não a barbie boba que você procura ser. Acredite: idiotice só te faz charmosa para os cafajestes. Se continuar assim, nunca vai aparecer aquele cara bacana que você gostaria que aparecesse; para lutar por você, até te conquistar, e destruir essa tua linda silhueta com uma gestação de 15 quilos.
É triste, amiga Mulherzinha, mas você terá que abrir mão da máscara de rímel que cobre a sua verdade.
Chega. Chega de se comportar assim. Como se estivesse lutando pelo posto de rainha da bateria. De Miss Maravilha do Mundo. Basta de ataques, dessa competitividade suburbana eu sou a melhor, eu sou a mais alta, eu sou a mais gostosa do pedaço. Ninguém tá ligando a mínima se você corre 10 quilômetros ou se aplicou Botox nessa sua testa sem expressão. Ou se você é assim porque ainda não passa de uma menininha que quer ser mais perfeita do que a mãe, conquistar o amor do pai e ser a primeira da classe. Esse teu afã psicopata de vencer todas as paradas só te deixa ridícula. E me faz querer usar um termo que odeio: coisa de mulherzinha. Mulherzinha é que tem essa mania de estar sempre desconfiada das amigas, porque todas teriam inveja do seu corpão e do seu cabelão estilo falso-loiro-natural-cinco-tons. Lamento informar, querida, que ninguém sente inveja de você. Por isso, chega de dizer por aí que, para não atrair olho grande, é bom ficar de bico fechado sobre a tal possível promoção que você terá no trabalho. Relaxa, ninguém está a fim de ser você. Tente, portanto, ser você com mais leveza. E lembre-se: esse negócio de dizer que não se pode confiar em mulheres só comprova que você é uma pessoa maliciosa. Sendo que isso está longe de ser porque você é fêmea.
Quando vejo você tagarelando sobre seus feitos sexuais, sinto-me num filme ruim sobre ginasianas americanas. Todas fanhas e excitadas. Chega, tá? De azucrinar os outros com essa sua boca-genital lambuzada de gloss, cuspindo baixos-clichês, simulando uma modernidade que você não tem. Nunca mais caia no ridículo de fazer "sexo casual" com nenhum tipo de homem, mais velho ou mais novo, casado ou solteiro, porque todo mundo já sabe que você finge tudo. Que goza, que não se sente fácil, que não liga quando os caras não telefonam no dia seguinte. Seja honesta uma vez na vida: confesse. Que você não é nada tão wild quanto se vende. Que não sabe falar tão bem inglês assim. Que fez escova progressiva. Que tem dermatite. E enfim você terá alguma paz, pois se reconhece humana, e não a barbie boba que você procura ser. Acredite: idiotice só te faz charmosa para os cafajestes. Se continuar assim, nunca vai aparecer aquele cara bacana que você gostaria que aparecesse; para lutar por você, até te conquistar, e destruir essa tua linda silhueta com uma gestação de 15 quilos.
É triste, amiga Mulherzinha, mas você terá que abrir mão da máscara de rímel que cobre a sua verdade.
Mulherzinha, eu??
Sim, eu adoro fazer minhas unhas, coleciono esmaltes e queria ter mais tempo de poder pintar as unhas mais que uma vez a cada duas semanas (!!!)
Sim, eu sinto um prazer íntimo quando consigo correr mais que você e, principalmente, mais que ele. E adoro contar a isso a todos. Para aumentar minha auto-estima, para ser incentivada, elogiada pelo meu desempenho, e sim, porque não, aparecer. Afinal, tenho sempre que aparecer só pelas minhas olheiras de cansada ou pela minha TPM??
Uma coisa tenho que concordar, confio em mulheres, nem todas, claro, mas tenho ótimas amigas que guardam segredos melhor que minha sombra. Quantos aos homens? É claro que serão confiáveis (enquanto estão querendo te levar para a cama, depois...vá saber!)
Concordo também que sexo casual para sempre não é tão saudável, principalmente para o coração, para os bons sentimentos, mas já que resolveram queimar os sutiãs e lutar pelas desigualdades, cada uma tem a liberdade de escolher o que faz de sua vida e ninguém tem que meter o bedelho nisso.
Meu cabelo é falso-loiro-natural-cinco-tons, e mesmo assim ainda tenho inveja daquele cabelão liso-natural-preto-graúna da minha amiga e às vezes até queria ter a coragem de deixar de lado a opinião masculina quanto ao cabelão sexy e cortar meu cabelo curto e deixá-lo super moderno.
Sim, só os cafajestes ligam para a “capa” de Barbie que muitas teimam em usar.
Cidadezinha qualquer (Carlos Drummond de Andrade)
Casas entre bananeiras mulheres entre laranjeiras pomar amor cantar. Um homem vai devagar. Um cachorro vai devagar. Um burro vai devagar. Devagar... as janelas olham. Eta vida besta, meu Deus. De Alguma poesia (1930) |
Cidadezinha? Só nas férias.
A gente reclama, reclama, reclama que cidade grande é muito agitado, estressante, dá problemas nos nervos. Trabalhar no centro da cidade, então! Nãão, eu quero sombra e água fresca, não aguento mais trabalhar mais de oito horas por dia, não dormir mais de oito horas por noite, não ter tempo pra mim, para os meus filhos... qualidade de vida.
Pergunto a você. Morarias tu numa fazendinha ou numa praia semi-deserta a quilômetros de distância de um shopping?? E o dia das mães? e o natal? Ah, aí eu pego o carro e vou para a casa da minha sogra, que mora na capital. E as férias? Ah, vou agitar um pouco com os meus amigos. E o resto do ano? Tédio, tédio, tédio. Senta na porta, fala mal do vizinho, vai à padaria, espera o marido chegar, escova o dente, internet não pega direito... dorme.
Pensando bem... praia deserta? campo? Deixa pra janeiro ou junho quando as crianças estão de férias.
Pergunto a você. Morarias tu numa fazendinha ou numa praia semi-deserta a quilômetros de distância de um shopping?? E o dia das mães? e o natal? Ah, aí eu pego o carro e vou para a casa da minha sogra, que mora na capital. E as férias? Ah, vou agitar um pouco com os meus amigos. E o resto do ano? Tédio, tédio, tédio. Senta na porta, fala mal do vizinho, vai à padaria, espera o marido chegar, escova o dente, internet não pega direito... dorme.
Pensando bem... praia deserta? campo? Deixa pra janeiro ou junho quando as crianças estão de férias.
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